Política
Prefeito alça Luciano a líder isolado na oposição
Por Djnaldo Galindo
A decisão do atual prefeito de Arcoverde de orientar o esvaziamento deliberado de uma sessão da Câmara, longe de demonstrar força, revela um equívoco clássico à luz da ciência política: a má leitura de determinada conjuntura e que dar protagonismo a um provável adversário. Ao instruir nove vereadores a se ausentarem, o prefeito abre mão do total controle institucional que detinha e, paradoxalmente, concede ao presidente da Casa um ativo político precioso — a visibilidade como voz solitária de oposição.
Em sistemas políticos locais, onde a dinâmica de poder é fortemente marcada pela presença e pela ocupação dos espaços institucionais, o boicote raramente enfraquece quem se pretende atingir. Pelo contrário, cria-se uma narrativa de resistência. O presidente, antes isolado, passa a ocupar simbolicamente o papel de contraponto, elemento essencial em qualquer arena democrática. Em termos estratégicos, o prefeito transforma um ator secundário em um único protagonista.
Além disso, a ausência coordenada dos vereadores governistas fragiliza a própria base, transmitindo à população a imagem de desarticulação e fuga do debate público. A lógica republicana pressupõe confronto de ideias no espaço institucional, não o seu esvaziamento. Ao abdicar desse princípio, o grupo governista não apenas erra taticamente, mas também compromete sua legitimidade perante o eleitorado.
Se, como ensina a teoria política, só se combate adversários que representem ameaça real, a atitude adotada cria exatamente essa ameaça. O que antes era um isolamento político converte-se, por erro estratégico, em capital simbólico para quem agora pode reivindicar o papel de oposição — algo que, até então, sequer existia de fato.


