Política
Claudelino é a primeira vítima de quem cujas as ordens procurou atender?
Por Djnaldo Galindo
A queda do vereador Claudelino Costa não é fruto de seus próprios atos, mas sim do primeiro movimento de uma engrenagem que o seu líder havia posto em marcha. O que se vê, por trás da renúncia, não é um ajuste de contas com a ética, mas o prenúncio de uma caçada política orquestrada – segundo Luciano Pacheco – pelo chefe do Executivo municipal.
Claudelino pode ter errado – e o filme das negociações de cargos por pagamento de campanha é grave -, mas jamais teria sido obrigado a denunciar ao cargo se não fosse alvo da sanha persecutória do prefeito. A própria narrativa dos fatos mostra que a Câmara, em momento algum, teve força ou vontade para cassá-lo. O processo interno foi suspenso, à espera de desdobramentos na Justiça. Foi a conveniência política, não o ímpeto moral, que selou sua sorte.
O estopim, contudo, veio de outra direção: a decisão de Luciano Pacheco, presidente da Casa, de lançar-se candidato a deputado federal. Incomodado com esse atitude que foge ao seu controle, o prefeito sacou da gaveta uma denuncia contra Luciano, sob a desculpa de este houvera advogado enquanto presidente da Câmara, algo vedado pela OAB. Mas a jogada saiu pela culatra: ao sentir-se injustiçado, Luciano deixou claro em viva voz — exporia todos fatos ocultos e segredos inconfessáveis da política local. Nesse imbróglio, surgiram novas denúncias, inclusive nomeações de parentes de Claudelino na estrutura municipal. E foi aí que Claudelino, sozinho e pressionado, acabou por renunciar.
Ou seja: sem o início do processo contra Luciano — movido pelo prefeito como retaliação eleitoral —, Claudelino jamais teria sido exposto com essa virulência. Ele renunciou não porque a Câmara finalmente resolvesse agir, mas porque virou peça descartável num tabuleiro montado pelo prefeito.
Portanto, Claudelino não é o único vilão da história. É, antes, a primeira vítima de um mandatário que não tolera dissidências e que usa a máquina e as denúncias seletivas para destruir adversários. Resta saber quem será a próxima vítima — ou quantas ainda cairão antes que a sociedade e a classe política enxerguem de fato quem comanda esse circo de horrores.


