Política
Quem com ferro fere, com ferro será ferido
Na política de Arcoverde, o caso de Claudelino mostra que memória curta é coisa que o povo não costuma ter.
O processo que pesava contra ele já era tratado como “matéria vencida”, esquecido nos bastidores da Câmara. Mas bastou o vereador assumir protagonismo na ofensiva contra Luciano Pacheco, após o rompimento deste com o grupo do prefeito, para que tudo voltasse à tona.
Como vice-presidente, Claudelino puxou a condução das sessões e se colocou como uma das vozes mais firmes no processo. O que não esperava era que, ao levantar o debate, reacenderia também o seu próprio passado.
E ao revisitar sua trajetória, a população encontrou um padrão: rompeu com Wellington Maciel, rompeu com Madalena Britto, mudou de lado ao se aproximar de Zeca, contrariou acordos na eleição da Câmara e também rompeu com aliados importantes como o empresário Michael Góes. Por fim, voltou-se contra o próprio Luciano — que, até então, havia deixado seu caso esfriar.
O resultado foi direto: a pressão política e midiática cresceu, e Claudelino acabou renunciando ao mandato.
Como escreveu Nicolau Maquiavel, em O Príncipe:
“Os homens devem ser acariciados ou eliminados, porque se vingam das pequenas ofensas, mas não podem fazê-lo das grandes.”
No fim, a política até tolera movimentos — mas não perdoa a falta de lado e de coerência. E a história de Claudelino reforça uma velha máxima que nunca sai de cena:
Quem com ferro fere, com ferro será ferido.


