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Bem Vindo! Hoje é Segunda-Feira, dia 15 de Junho de 2026

A hipocrisia tem endereço: o duplo padrão do lulopetismo entre Ceará e Pernambuco

Política

A hipocrisia tem endereço: o duplo padrão do lulopetismo entre Ceará e Pernambuco

Por Djnaldo Galindo

No jogo político, a coerência deveria ser regra. Mas o lulopetismo decidiu transformá-la em exceção quando o assunto é aliança com o bolsonarismo. A estratégia é simples e cínica: atacar no adversário o que se pratica em casa.

No Ceará, toda a máquina de propaganda petista se mobiliza para carimbar Ciro Gomes como “bolsonarista” pelo simples fato de o PSDB dialogar com prefeitos do PL e receber votos de eleitores que votaram em Bolsonaro em 2022. A lógica é que qualquer aproximação, mesmo pontual e municipal, com forças ligadas ao ex-presidente contamina irremediavelmente o palanque. O discurso é moralista: “com bolsonarista não se alia”.

Corta para Pernambuco. A governadora Raquel Lyra, do PSD, monta seu palanque de reeleição com amplo apoio de deputados, prefeitos e lideranças do PL. Figuras que fizeram campanha para Bolsonaro em 2022 hoje ocupam secretarias e espaços estratégicos no governo estadual. E qual é a postura do PT e de seus satélites? Silêncio cúmplice e, em muitos municípios, adesão. Prefeitos lulopetistas sobem no mesmo palanque de Raquel, dividem foto com bolsonaristas, liberam emendas e fazem dobradinha. Onde está a pecha de “bolsonarista” agora? Sumiu. Evaporou.

A contradição é escandalosa e revela o que realmente move o discurso lulopetista: não é a luta contra o bolsonarismo, é a luta pelo poder. Quando convém eleitoralmente, o bolsonarismo vira “inimigo da democracia” que precisa ser isolado. Quando convém pragmaticamente, vira “força política local” com quem se pode compor. É um relativismo moral que esvazia qualquer autoridade para dar lição de antifascismo.

Essa seletividade é perigosa. Ela passa para a sociedade a mensagem de que o bolsonarismo só é problema quando está no campo adversário. Quando está no nosso campo, chama-se “governabilidade”. E é assim que o bolsonarismo sobrevive: sendo normalizado por quem diz combatê-lo, sendo anistiado por quem jurou extirpá-lo.

A verdadeira importância, portanto, não pode se perder nesse cinismo. Derrotar o bolsonarismo não é slogan de campanha. É tarefa democrática. Significa estirpar de qualquer espaço de poder o projeto autoritário, negacionista e de ódio que ele representa. Isso vale para o Ceará, para Pernambuco e para o Brasil. Vale quando o bolsonarista apoia Ciro, vale quando apoia Raquel, e vale principalmente quando apoia o PT.

Ou o bolsonarismo é um risco à democracia sempre, ou o discurso antifascista do lulopetismo não passa de peça de marketing eleitoral. Não dá para ter duas medidas. Não dá para ser antifascista de palanque e conivente nos bastidores. A democracia exige coerência. O Nordeste merece respeito.

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