Política
A oposição que se opõe a si mesma: o nó de Arcoverde
Por Djnaldo Galindo
A Frente das Oposições lançada em Arcoverde veio com nome forte e discurso de unidade. Na prática, virou palco de contradições. Diz combater a força de Zeca e a influência de candidatos “forasteiros”, mas repete o mesmo roteiro que critica: fragmentação, vaidade e projeto individual acima do coletivo.
O diagnóstico é simples e duro. Para enfrentar Raquel Lyra e frear a máquina de Zeca na cidade, unidade seria sine qua non. Só que Luciano Pacheco apresenta Batista Cabral para estadual, Rosinaldo “Já Morreu” marcha com Felipe Carreras, e Madalena divide apoio entre Diogo Moraes e o próprio Carreras. Três lideranças, três caminhos, todos fora do tal consenso. A tal “Frente” acaba sendo oposição ao governo, sim, mas também oposição a si mesma.
O resultado é previsível. Enquanto se fala em derrotar adversários, fortalece-se exatamente quem se quer enfraquecer. Zeca ganha musculatura com a dispersão do campo contrário. João Campos, que precisaria de um palanque coeso em Arcoverde, herda um mosaico de candidaturas que se anulam.
Arcoverde paga a conta. Ao contrário da propaganda oficial, a cidade perde relevância política e econômica no cenário regional justamente porque suas lideranças não conseguem articular um projeto comum. Troca-se estratégia por conveniência eleitoral imediata. Troca-se cidade por mandato.
Nome pomposo não vence eleição. Sem ação prática e renúncia de vaidades, a Frente das Oposições será só fachada. E fachada não derruba estrutura. Só a reforça.

