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O mesmo discurso, a mesma elite: da escravidão ao fim da escala 6×1

Brasil,

O mesmo discurso, a mesma elite: da escravidão ao fim da escala 6×1

Por Djnaldo Galindo

Há um padrão incômodo na história do Brasil: toda vez que se propõe um avanço nos direitos dos trabalhadores, as elites econômicas recorrem aos mesmos argumentos — custo excessivo, perda de competitividade, risco de colapso. Não é novidade. Foi assim no século XIX, contra o fim da escravidão. Foi assim na época da CLT. E é assim agora, no debate sobre o fim da escala 6×1.

No passado, diziam que abolir o cativeiro quebraria a agricultura. Depois, que regulamentar férias e jornada inviabilizaria a indústria. Hoje, afirmam que dar dois dias de descanso ao trabalhador — como já ocorre em países mais produtivos — destruirá o comércio e o emprego. A cada momento, o mesmo roteiro: o lucro imediato de poucos é tratado como razão incontornável para a exploração de muitos.

O que essas elites ignoram é que trabalho exausto não é eficiente. A escala 6×1 não aumenta produtividade; apenas transfere o custo da má gestão para o corpo e a vida de quem trabalha. Países desenvolvidos operam com jornadas reduzidas e mais descanso sem quebrar. A diferença não está na eficiência, mas em quem arca com o peso da economia.

A história já mostrou que os “argumentos econômicos” contra direitos sociais quase sempre falham. A abolição não destruiu o país — destruiu o poder dos senhores de escravos. A CLT não inviabilizou a indústria — criou mercado consumidor. O fim da 6×1 não fechará empresas; apenas obrigará a uma organização mais justa do trabalho.

O que está em jogo, no fundo, é a recusa estrutural das elites brasileiras em enxergar o trabalhador como sujeito de direitos. Enquanto essa lógica prevalecer, cada conquista será precedida pelo mesmo medo fabricado — que nunca se confirma, a não ser para quem teme perder privilégios.

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